Considerável Contradição

Setembro 10, 2009

E se

o público aplaudir, em alvoroço, ainda assim, trocaremos o palco pela nossa individualidade mesquinha?

Postado por Mica_ela, às 13:38 hrs. Até então: 2 contradições

Agosto 26, 2009

A Cadeira de Balanço

Toc - toc - toc. Virou a cabeça lentamente em direção a velha porta de madeira, enquanto indagava a si mesma sobre quem iria visitá-la naqueles dias. "E agora? Quem irá abrir a porta?" O filho havia saído a pouco para ir ao mercado e a farmácia - coisas que, antigamente, ela fazia. Na cadeira de balanço, moveu os braços buscando alcançar algum apoio, algo em que pudesse agarrar-se. Mãos devidamente apoiadas, era hora de levantar.


Toc - toc - toc. "Estou indo" pensou. Certamente, quem batia a sua porta estava enganado, na casa errada... Do contrário, saberia de sua condição e esperaria calmamente. Sob um esforço tremendo, começou a transferir o peso do seu corpo - que agora mantinha-se na cadeira - para suas pernas. Sentiu os pés tocarem com força o chão e, entre os ruídos das madeiras, soltou com cautela uma das mãos. A parede mais próxima serviu para escorar-se e a segurança tomou conta de sua outra mão, que também se desprendeu da cadeira.


Toc - toc - toc. Levantou os olhos mirando a porta, já com um pouco de raiva daquela pessoa tão impaciente. "Agora só alguns passos." E começou a caminhar com uma dificuldade tão grande, que parecia um bebê dando os primeiros passos. Uma perna, depois a outra. Um perna, depois a outra. Uma perna e... de repente, o chão aproximou-se de seu rosto. Havia caído. Em um descuido, acabou por retirar a mão direita da parede sem ter antes apoiado a esquerda.


Toc - toc - toc. No chão, ela empurrou-se e ajeitou-se, sentada com as costas escoradas na parede fria. Suas pernas doiam, seus joelhos mais ainda. Tentou balbuciar algum som, algo que demonstrasse que, ao menos, havia tentado abrir a porta. Sabia que não conseguiria levantar do chão sozinha e que só lhe restava esperar que o filho chegasse antes da pessoa ir embora. Mas falar parecia demasiadamente cansativo agora, e não lhe parecia adiantar alguma coisa.


Toc - toc - toc. Sentiu a língua áspera por fora dos lábios e coçou a cabeça. Gosto de tristeza era o que sentia. Depois de uma vida tão cheia de conquistas, tão cheia de ações, agora, ela não conseguia nem abrir a porta. "Meu corpo não me aguenta mais, não me sustenta, não tenho mais forças." e chorou. Lembrou do passado e viu sua vida acontecendo, seus passos diminuíndo, todos aqueles sorrisos e todas aquelas lágrimas. Enxergou seus amigos, seus amores, sua família, sua felicidade. E, como se tivesse voltado no tempo, acompanhou a tristeza para fora de sua casa, dando espaço para o sentimento de realização.


Pouco importava que não conseguia mais abrir a porta. Pouco importava que a pessoa tivesse ido embora, afinal, se fosse deveras importante, ela voltaria mais tarde. Pouco importava não ter mais vigor no corpo. Isso ela teve durante anos e soube muito bem como aproveitar. O que importava era que ela ainda tinha pensamentos e sentimentos. Ainda podia reviver seus momentos dentro da sua memória e sentir-se como naqueles dias, a tanto tempo atrás. O que importava era que ainda podia viver, tranquilamente, e aproveitar cada detalhe da sua própria existência.

Postado por Mica_ela, às 10:40 hrs. Até então: 4 contradições

Agosto 20, 2009

Passageiro

Nos últimos dias tenho ouvido muitas frases que remetem a palavra saudade. Amigos de longa data exprimem a falta que sentem de quando tinham mais tempo para trocar palavras, afetos, idéias. O avô reclama, afirmando: "Na minha época as coisas eram mais fáceis, mais corretas, mais justas." E depois de um final de semana ensolarado, seguido por uma semana chuvosa... "Que saudade do verão."


Esses dias, enquanto tomava banho, as gotas de água que caiam sobre a minha cabeça se transformaram em memórias do passado. Memórias que trouxeram a saudade. Saudade daquelas pessoas que o tempo tira da gente. Saudade daquela tarde que ri a toa cercada de corações especias. Saudade de sentar na cabeceira da cama e olhar a lua, criando situações imaginárias sobre momentos que viriam a acontecer. Saudade dos almoços em família, das noites sem responsabilidade, do caderno de poesias. Saudade da época de escola, de poder ver todos os dias os mesmos colegas que faziam tão bem. Saudade do palco. Saudade... Saudade.


O ser humano vive de saudade. E só sentimos falta daquilo que amamos, mesmo que somente por um segundo. Soube de uma pesquisa realizada a pouco que concluiu que as mulheres passam 136 dias da sua vida se arrumando. Certamente, se fizessem essa pesquisa em relação à sentir saudade, o tempo seria muito maior. Saudade dá e nunca passa. Do que sentimos falta hoje, sentiremos para sempre, bastará relembrar.


É o tal do passado que fica rondando aos nossos redores esperando o melhor momento para dar as caras. Quando ele vem, arranca sorrisos, lágrimas, risadas e sentimentos que foram experimentados nas ditas situações. Quando ele vem, sempre deixa aquela sensação de “querer voltar no tempo” e um leve descontentamento quando entendemos que isso é impossível.


Contudo, se o dia de hoje é o nosso passado de amanhã, e hoje amamos algo (uma coisa, coisa qualquer a gente sempre ama), amanhã sentiremos saudade. Daquilo que já sentíamos e mais um pouco do que se acumulou dentro da gente em um dia a mais de vida. A conclusão é óbvia e de fácil entendimento.


Devemos deixar que a saudade venha mas sem esquecer-se de viver melhor ainda o agora. O “aproveitar cada dia” é clichê, eu sei. Mas é a mais pura verdade. A consciência de que tudo é passageiro, de que nada é definitivo, deve nos dar segurança. Segurança de que estamos vivendo tanto, e com tamanha intensidade, que a saudade de amanhã virá acompanhada da sensação de que usufruímos o máximo do nosso passado.

Postado por Mica_ela, às 13:26 hrs. Até então: 1 contradições

Agosto 13, 2009

Paz de espírito

Amor e dor não rimam somente na linguagem, mas também na vida real. Um sempre trás o outro consigo. Um não existe sem o outro. Já diziam os homens sábios que, para darmos valor as coisas boas, é preciso que experimentemos as ruins primeiro.


Aprenda: se não há dor, não há amor. Com o amor provamos da insegurança, do medo da perda, da espera sem fim, da tristeza profunda, da sensação de inutilidade. Assim como, oposto a tudo isso, conhecemos a felicidade extrema, a importância dos detalhes, o coração disparado, a tranquilidade, a paz de espírito.


Chega a ser engraçado tudo o que um ser humano consegue provocar em outro. Através do amor tornamo-nos marionetes que têm parte de sua vida focada em proporcionar a felicidade do nosso manipulador. Dane-se se é difícil, se choramos, se fazemos àquilo que um dia dissemos que nunca iríamos fazer. Quando amamos abrimos nosso caminho em busca do caminho do outro e, algumas vezes, acabamos por mudar completamente o nosso roteiro inicial.


Caminhamos pelas calçadas pensando nos momentos vividos com o outro. Observamos vitrines buscando aquele presente que seria tão bem recebido. O tempo custa a passar quando estamos sozinhos e parece voar quando o outro, tão essencial, se faz presente.


Não é bobagem, não é falta de amor próprio, não é ilusão. Colocar nossa vida de frente para outra vida – e arcar com as consequências desse ato – é uma atitude que exige o famoso “gostar de si mesmo”. Nossas ações são realizadas conscientemente, baseadas na certeza de que só nos sentiremos completos e livres quando alcançarmos uma relação segura, de cumplicidade, de fidelidade, de amor verdadeiro. Por amor, os esforços valem a pena.


Todas essas sensações, esses sentimentos impregnados no amor, nos tornam pessoas melhores. Ganhamos maturidade, confiança. O amor é motivador. O amor é transformador. Não é ruim deixar de ser àquilo que um dia já fomos por influência do outro. Basta que tenhamos cautela. Se mudamos é porque sabemos que isso nos fará bem.


E, para os que não acreditam nas palavras que joguei aqui hoje, que me consideram uma louca desvairada, completamente “cega de amor”, procurem o espelho mais próximo e tentem remover essa película que deixa tudo dentro de vocês tão cinza e embaçado. Aceitar que nos doarmos à outro ser é algo bom, e o que o amor é “piegas” mesmo, é o primeiro passo para encontrá-lo.

Postado por Mica_ela, às 10:57 hrs. Até então: 1 contradições

Janeiro 29, 2009

Espelho

O que aconteceu com as minhas palavras? Quem ousa assim, tão incansavelmente, tirar-me meu modo mais fácil de expressão? Onde foi parar a inspiração? Aquela que me acalentava noites a fio, que me fazia levantar da cama na busca de um papel e uma caneta? De repente, eu me vi vazia. Mas não de sentimentos, nunca. Nem mesmo de pensamentos. Mas talvez... De reflexão. A arte de escrever envolve não só expor ao mundo o que sentimos e pensamos, mas também o raciocínio, a indagação, a reflexão.

O mundo, às vezes, gira tão rápido que nós nos perdemos dentro das nossas ações. Não digo obrigações porque não se vive vinte e quatro horas por dia trabalhando ou estudando. Sempre se acaba fazendo alguma outra coisa, em algum outro momento, como assistir a televisão, ler um livro, sair com os amigos, fazer as refeições. São tantas opções que quando agarramos tudo de uma vez, acabamos por nos esquecermos de nós mesmos. Esquecemos do exercício diário de olharmos para dentro, para entender o que acontece além da superfície.

E foi exatamente aí que as minhas palavras se perderam. Foi aí que descartei aquele tempo só meu como se fosse algo substituível, como se não me fosse importante. E foi assim que cai lá do alto. Me vi tão presente em tudo que acabei por tornar-me ausente. Eu quis ter tudo e acabei não tendo nada. Eu corri atrás do tempo e ele acabou voando.

A sorte é que sempre, quando eu estou quase alcançando o chão, o tal do destino mostra sua face. Me traz pessoas, sentimentos, ações, olhares, palavras. Coloca diante de mim a vida na sua mais pura essência, fazendo lágrimas escorrerem dos meus olhos. Ele me faz sentir com tamanha intensidade que eu quase consigo tocar os meus sentimentos.

E que depois do sossêgo, as minhas palavras voltem, mais verdadeiras do que nunca e com mais força do que a minha própria vontade de existir.


(Note-se pelo texto fraco que o sossego ainda não foi suficiente)
Postado por Mica_ela, às 11:15 hrs. Até então: 2 contradições

Novembro 11, 2008

Tu ainda sentes?

Eu me perdi naquela poesia que um dia escrevi, mas nunca tive coragem para te entregar. Me perdi naquele sentimento, naquele momento, naquele contentamento. Revirei o nosso passado tocando fundo o meu peito, tentando entender como a vida pôde, um dia, ser tão bonita... Aonde ficaram as flores roubadas, as garrafas de vinho, os olhares brilhantes? O que aconteceu com aquela música que falava tudo sem dizer nada? Meu corpo inteiro grita aos quatro ventos tentando entender o que aconteceu, em qual estrada nossos caminhos se separaram... Nada mais faz sentido e o sentir se tornou somente dor... "Eu não tenho mais esperanças..." E agora nem eu sei mais.
Postado por Mica_ela, às 08:08 hrs. Até então: 11 contradições

Outubro 28, 2008

Ama. Escreve.

As mãos tremiam como se sentissem alguma brisa gelada passar por entre os dedos. Os pés caminhavam lentos, tropegos, na tentativa de evitar qualquer passo em falso que pudesse derrubar todo aquele sentimento. O corpo flutuava, como se estivesse envolto por alguma força sobrenatural que lhe deixava leve como uma pluma. O coração batia rápido, sem intervalos, sem calma.

Toda aquela vontade tomava conta de mim, dos meus sentidos, dos meus pensamentos. Inspirava o ar como se absorvesse toda a energia que aquelas pessoas ali, sentadas, tinham a sua volta. Ah, o nervosismo. Já não conseguia mais controlá-lo. Ele me acompanhava e acalentava por todos os segundos, a cada mudança de olhar. "Sutileza, aquele olhar. Arde, incomoda. Mesmo sem te ver. E não sai da minha cabeça".

Essa minha ânsia em sentir me fez sentir até o que os outros - que compartilhavam comigo de toda aquela magia - sentiam. Os olhares cúmplices entregavam o medo, a vontade, a felicidade de realizar algo tão esperado. Somente nós, ali, entendíamos tudo o que já havia sido feito. Todos os dias em que havíamos mexido com as nossas profundezas para conseguir, enfim, chegar a tamanha sensibilidade.

Porque para que a verdade seja mostrada e sentida, é preciso que haja verdade no que é mostrado e sentido. E nós conseguimos alcançar esse mundo lá, naquele dia, naqueles minutos em que tivemos todos aqueles olhares voltados para nós. Chegamos ao mundo dos sonhos, da mentira verdadeira, das sensações. Um mundo aonde tudo é possível, realizável e nós - simples seres humanos - podemos nos tornar o quê, ou quem, quisermos.

Afinal, o palco é minha casa. Meu lar. Nele durmo Micaela e acordo Flávia. Nele procuro pela dor e encontro o amor. Nele me encontro, reencontro, transformo, crio e recrio. Nele eu "Amo sempre. Mesmo quando busco um olhar que sempre se esvai. Que sempre se perde na confusão dos próprios pensamentos."
Postado por Mica_ela, às 10:30 hrs. Até então: 1 contradições

Junho 06, 2008

Para Sempre

O sangue circulava rápido dentro daquele corpo como se procurasse um fresta para escapar do circuito rotineiro. Queria jorrar, manchando toalhas, cortinas, lençois... Queria mostrar ao mundo que existia, queria chorar vermelho para que lhe levassem a sério.

Porque até mesmo seu corpo entendia que as lágrimas de água salgada não surtiam mais efeitos. Não que ela quissesse causar pena. Queria somente que alguém se importasse, que compartilhasse sua dor, que lhe ajudasse a gritar. As coisas haviam se tornado tão tristes que nem sua voz mais tinha coragem de dar o ar da graça. O silêncio havia tomado conta dela, de seu corpo e de todos os cômodos daquela casa que agora parecia tão misteriosa.

O que havia acontecido? O pior. A única coisa que pode destruir a vida de um homem. Ela havia perdido a esperança. Isso porque se dera conta que nada daquilo tudo que havia um dia planejado, tinha dado certo. Nada à sua volta parecia no lugar correto, nada estava como o esperado. Até mesmo os móveis nos mesmos lugares de sempre agora causavam desconforto.

Aqueles que um dia acreditou estarem sempre do seu lado, tinham sumido. Percebeu que as pessoas mudam, mas nem sempre para melhor. As qualidades dos amigos tinham sumido e dado lugar a invejas, interresses, egoísmo, maldade. Sentia-se sozinha e não acreditava mais que ser boa e desejar o bem levasse a algum lugar. Era tanto o que tinha desejado de coisas positivas para os que estavam ao seu redor, e era tanta a indiferença destes com ela que não lhe restavam forças para tentar outra vez.

O sol passou a ser tão melancólico quanto a chuva. Os dias da semana passaram a ser tão tristes quanto os domingos. Todas as músicas tornaram-se nostálgicas e todos os filmes tornaram-se vazios. O mundo parecia ter parado de girar e seu coração ameaçava explodir a qualquer minuto.

Ela precisava de uma solução. Precisava. Já não suportava mais viver com tanta dor, tanta mágoa. Sentou-se então na pequena escrivaninha e escreveu. Escreveu na tentativa de deixar no papel tudo o que lhe assombrava. Escreveu na tentativa de tirar todo aquele peso das suas costas. Mas de nada adiantou. O dia havia passado e tudo o que restava era uma folha com palavras, três maços de cigarro vazios e um buraco cavado dentro do mundo onde ela se encontrava.

Então, resolveu deixar que todo o seu sangue pedisse aos céus alívio. Ligou a banheira com água quente, despiu-se, cortou os dois pulsos e deitou-se deixando que o sangue se misturasse a água tão límpida. Não chorou, não pensou, não tentou. Somente esperou acordar em algum lugar onde sentisse cheia, com pessoas verdadeiras e boas a sua volta.

Quando os "amigos" souberam da notícia, foram direto a casa para entender o que havia acontecido. Na escrivaninha uma folha que um deles se atreveu a pegar. Ali, milhares de vezes estava escrita a mesma frase. A letra tremida agora era lida em voz alta: "Para sempre, sempre acaba."

Postado por Mica_ela, às 08:05 hrs. Até então: 3 contradições

Maio 28, 2008

Casa Amarela

Chegaram à casa amarela depois da viajem mais engraçada que poderiam ter. As cinco espremidas no carro já tão conhecido, três ainda bêbadas e duas sem nem ao menos terem dormido. Depois das quatro horas regadas a risadas e enjôos – que se alternavam continuamente – a visão daquele que seria o seu lar pelos próximos dias tranqüilizava e acalentava.

Carro descarregado, quartos divididos, era preciso logo fazer algo. Do contrário a cama seria o destino de todas aquelas que sentiam seu corpo completamente mole. Almoço, por favor: massa ao molho branco com direito a uma pitada de shoyo. E cervejas, muitas delas. Duas novas integrantes juntaram-se ao grupo que agora somava sete almas dispostas a aproveitar cada segundo daquele feriado tão esperado. Por vezes tinham a companhia de um oitavo elemento, que ficava em uma casa próxima.

Os dias passaram todos na mesma rotina que de chata não tinha nada. Bebe, come, conversa, ri, dorme. Bebe, come, conversa, ri, dorme. Bebe, come, conversa, ri, dorme. Bebe, come, conversa, ri, dorme. E logo chegava a noite e apareciam novas brincadeiras: Qual é o filme, Se essa pessoa fosse um filme ela seria..., Bebe, tem que beber!, canastra, Perfil, strip poker – com direito ao banho de piscina mais frio na madrugada mais fria de todas – Eu nunca, Burro, fumaça, MUITA fumaça.

E quando a maioria ia dormir perto do amanhecer, aparecia a espertinha batendo panelas ou roubando cobertores para incomodar todas as outras. Troco dado: a pequena foi tirada da cama e jogada na piscina gelada pela manhã, o que restava era sempre muitas histórias engraçadas e gargalhadas homéricas. E pra beber: suco gammi, caipirinha, cerveja, vinho, tequila e alguns refrigerantes.

E depois de alguns dias de convivência, a casa não mais tinha sete meninas. Agora, eram sete personagens que viviam um Big Brother real que tinha até quarto do líder e paredão – no bom sentido, é claro. E talvez, Branca de Neve e os Sete Anões diga mais sobre elas do que se pode imaginar. A SONECA, quando acordada, pregava sustos que resultavam em copos de bebidas derramados. A FELIZ só se acalmava quando se trancava no quarto e assistia a alguns dos milhares de DVD’s levados. A ZANGADA tentava sempre aprontar algo e conseguia: mas depois acabava pagando micos gigantes. A DENGOSA buscava carinhos em todas, dormia de mão dada com algumas e sempre distribuía abraços. A ATCHIM mais tossia do que espirrava, mas nem por isso deixava de cozinhar para todas as outras. A MESTRE, também conhecida como irmãozão, deixava tudo encaminhado e sumia por horas, deixava todas preocupadas e, do nada, aparecia, sem dar maiores explicações. A DUNGA pouco falava, pouco fazia, mas estava sempre presente. E, é claro, a BRANCA DE NEVE, que de branca não tinha nada e aparecia ás vezes naquela casa para juntar-se a todas as outras. Só que nessa história não tinha nem bruxa e nem príncipe, muito menos maçã enfeitiçada. Somente limões e um tal estrupício que aparecia bem raramente.

No último dia, aquelas que quase não saíram de casa, resolveram se apertar no pequeno carro e passear. Pinguela, pausa para observar o mar, a lua, filosofar. Pinguela novamente e elas acabaram parando no Farol. Que vista linda, que paz, que felicidade. E, obviamente, acabaram parando na única barraquinha de Krep’s aberta para fazer um lanche. O cachorro de rua deitado no chão foi alvo do diálogo: “Esse cachorro é teu?” “Não, é de quem quiser.” “E como é o nome dele” “Passa-Fome”. Nem é preciso dizer as milhares de gargalhadas seguintes.

E assim passaram-se os cinco dias. Cheios de bom humor, boa vontade e principalmente muita amizade. Aquelas que achavam já se conhecer muito bem, descobriram peculiaridades de cada uma que enriqueceram ainda mais o sentimento de carinho entre elas. E, depois de tantos dias recheados de tanta diversão e tanto amor... “Isso foi uma CANTADA?” “Não, isso foi ESPONTANEIDADE.”

Postado por Mica_ela, às 15:10 hrs. Até então: 2 contradições

Maio 19, 2008

Já é Hora, Meu Bem.

Chega de se enganar, querida. Já é passada a hora de deixar de se jogar nesse mar de pessoas que nada têm a te oferecer a não ser um pouco de prazer. Chega de tentar enganar a solidão jogando sentimentos passageiros dentro de ti. Chega, meu bem.

É preciso aprender a ser sozinha, a viver sozinha, a acreditar sozinha. Tu não precisas de outros ao teu lado. Tu não precisas de forças alheias. A vida é agora, e do agora depende o teu futuro. Ergue a cabeça, menina. Confia em ti mesma e pára de depositar esperanças nos outros. Deposita esperanças em ti, no teu trabalho, no teu coração. Vive!

A única coisa que tu levaste de tantos relacionamentos corriqueiros foi decepção. Te olhas no espelho e enxergas, querida. Vê quem tu és e quem está dentro de ti, quem sempre esteve. Pensa com quem tu sonhas, quem tu espera encontrar quando tens algo de bom para contar.

No teu coração já está gravado um nome, meu bem. Basta que tu te abras para este sentimento. É amor, eu vejo nos teus olhos. E é recíproco e está ao teu alcance. É amor de escrever cartas, de rasgar conceitos, de chorar sangue. É amor de gritar ao mundo, de ouvir sinos, de encher taças. Não tenhas medo, não crie barreiras. Com calma e cautela tudo dará certo.

Chega de se enganar, querida. Já é passada a hora de se jogar na pessoa certa. Esta, que tu bem sabes quem é. Porque esta, somente esta, poderá te ensinar a ser sozinha mesmo estando acompanhada. E assim, serás feliz, menina.


"... because I don't shine if you don't shine..."

Postado por Mica_ela, às 10:07 hrs. Até então: 3 contradições